A minha ideia de fim de semana romântico era pegar esse carro que está na garagem, que tem sede, que faz a minha sede de quilômetros, era embarcar nessa viagem e desandar toda essa quilometragem que mede distância, que corta divisas, que atravessa muros, que faz pontes entre as nossas escarpas e ir te achar do outro lado dessa avenida da saudade. Meu ideal de fim de semana perfeito começa com a minha viagem, solitária, como de costume, em direção a você.
Meu fim de semana romântico continua comigo te encontrando, te desafiando, comigo te questionando, com você sorrindo, com a festa com os cachorros, meu fim de semana perfeito se prolonga a cada momento em que posso divisar a improbabilidade dos meus sentimentos, essa raiz de número negativo, esse número complexo, essa medida que, mais que Fibonacci, é o princípio matemático que ordena o caos da minha vida, que põe a nossa existência numa ordem nossa, numa álgebra que ambos escrevemos a muito custo, é a nossa mecânica universal aplicada que nos coloca em sincronismo.
E o fim de semana perfeito continua, continua na folga do seu abraço, no calor do seu corpo, no apego deslumbrado que eu tenho, sempre tive, por cada uma das suas evoluções, pelo seu jeito de olhar, de se mexer, pela sua voz, pela improbabilidade, de novo ela, das suas mãos, as mãos mais perfeitas da criação.
E nosso fim de semana perfeito só começa e acaba e começa nessas coisas porque aí é hora de pegar o carro, é hora de andar muitos quilômetros mais, melhores, mais largos, mais profundos, nossos e novos, quilômetros e quilômetros, por todos os lados. Nosso fim de semana perfeito acaba em noite fria, em chalé, choupana ou barraca, céu claro e aberto, telescópio que não mais nos esqueceremos à nossa disposição para que, ao divisar o improvável das estrelas que desafiam o tempo e a nossa perspectiva de realidade, nos encontremos, ainda mais improváveis, porque complexos, porque entregues, nos braços um do outro.

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