sábado, 13 de maio de 2017

Silver Linings Playbook

Em 2017, eu me prometi um ano diferente, custasse o que custasse, doesse o que doesse, fosse o que fosse, 2017 não seria ruim, 2017 seria começo, 2017 seria avanço, progresso, vida e batalha. No alvorecer do dia primeiro desse ano, eu jurei de amor que tudo seria diferente, novos caminhos seriam perseguidos e novas formas de pensar, de encarar a vida e de resolver os problemas seriam implementadas. Velhas qualidades resgatadas do fundo do baú e uma porção de vícios, erros e costumes ruins acabariam. Não tenho baixado a guarda nessa construção e persistência, meus caros, paga: as coisas se endireitam, você sorri mais, se preocupa menos e a vida, ah a vida, encontra formas curiosas de ajeitar as coisas.

Porque agora eu deixo. Antes, eu entrava em queda de braço com a realidade. E sempre saia perdendo. Não era uma questão de sabotar-se, mas sim de ser incapaz de reagir, de devotar a mesma paixão que eu tenho pelos meus sonhos, ideais e sentimentos às coisas, às durezas, aos sacrifícios, às incertezas. Hoje, eu não sou mais meu inimigo.

Talvez os três pilares desse novo momento na vida sejam: se conhecer bem e ser absolutamente honesto com o que sente, valorizar-se e reconhecer suas qualidades, colocando-as a serviço dos planos e, por fim, encarar as dificuldades com leveza, sem lamentação. Bater no peito, olhar as perspectivas, respirar fundo e fazer. Tentar e desistir somente quando esgotadas todas as suas possibilidades, ou quando no limiar do absurdo e da falta de dignidade, desses três, o que vier primeiro.

Abre parêntesis. É possível, vejam bem, eu disse possível, que estudar Lógica Matemática tenha qualquer coisa a ver com a situação. É incrível. Mas é possível que tenhamos, enfim, encontrado o assunto matemático, que transcende as operações básicas, e que se ensinado a um sujeito normal, pode realmente fazer a diferença na vida do indigitado. Ainda não tirei minhas conclusões. Mas matemática nunca é demais, atrapalhar é certo que não atrapalha. Fecha parêntesis.

Eu pensava nisso, sobretudo como essa perspectiva mais positiva perante a vida tem me ajudado a escapar ileso de problemas, e me feito mais forte, o que não mata acresce na minha casca, e eu sou cascudo; tudo indo de encontro ao que pode até mesmo explicar o sucesso das minhas novas empreitadas. Como oportunidade de emprego beliscando, bem do meu jeito, trabalho remoto via Internet. Perspectiva alvissareira que me deixou contente e me levou a fazer algo que eu vinha adiando há algum tempo: um balanço desse ano que ainda não está na metade.

- Perdi 14 quilos
- Resolvi colorir o cabelo
- Nova faculdade e a nota mais baixa do primeiro bimestre foi um B
- Emocional em dia e em compasso com a Razão
- Novos círculos de pessoas

- Acampei e fiz uma porção de novas trilhas
- Sentindo-se bem em aprender coisas novas
- Escrevendo MUITO mais do que em anos
- Duas ideias ótimas para livros e que me desobrigam das minhas obsessões com História
- Cicatriz vai sair em disco

- Metas claras e muito mais tranquilidade

E a lista de afazeres, de coisas para resolver e conquistar, só cresce. E isso não me assusta, isso me anima, isso me empurra, porque a minha pressa é boa, é uma pressa de urgência, não de temeridade: é a pressa de quem imprime ritmo à vida, mas caminha com calma ressabiada porque as armadilhas estão por todos os lados. Curso de marcenaria, que não vou eu, um reles curioso, roubar vaga de quem precisa de profissão, e encontrar uma arte marcial que substitua o boxe, que infelizmente todos só querem saber de MMA, são as minhas próximas urgências. E eu preciso de novas paixões, porque o meu coração é enorme, e eu que sou feito de exageros e idiossincrasias, sou movido a paixão, então eu preciso me exagerar um pouco.

E, claro, nem tudo dá certo só porque você decide que tem que dar certo. 2017 também já coleciona seus pequenos fracassos, mas aí entra a capacidade de, resiliente, ver o lado bom das coisas e de encontrar paz nas verdades que você precisa assumir em foro íntimo. Em geral, nesses casos, reflexão e honestidade consigo mesmo vão mostrar que você fez tudo que era possível dentro das suas possibilidades e dentro do que as circunstâncias impostas a você pelo contexto e pela vida. Não tem remorsos quem lutou pelo que quis com boa vontade e honestidade para com o que sente e isso liberta e abre o coração para o novo, que sempre vem.

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