Se eu soubesse que simplificar e adicionar leveza, bater no peito, pensar positivo, meditar e ser mais otimista traziam tantas coisas boas, eu teria começado isso há muito, muito, muito tempo.
A vida, assim, em equilíbrio, reforça essa sensação gostosa de saber o que faz, onde vai, por que vai, como vai. Desdobram-se, aos meus pés, todos os caminhos da vida e eu vou, solto, por eles. Essa convicção das coisas que são necessárias, do que precisa vir, de onde ir, do que fazer, de como construir, tudo nasce dessa clareza de propósitos, do foco, da calma, da capacidade de respirar fundo, sorrir e batalhar o mundo.
Mas essa lucidez conquistada a duras penas também vale, e vale muito, porque as lições ficam firmes, impressas no meu couro, no meu surrado couro.
E eu pensava nisso hoje, quando finalmente terminei minha mais ambiciosa empreitada, no que diz respeito a desenvolvimento de software: o meu próprio emulador de Space Invaders escrito em C, que batizei de 8080 Monitor, nome que faz referência ao processador, o 8080 do arcade dos anos 1970, e ao Woz Monitor, de Steve Wozniak no Apple 1. Terminei de corrigir os erros no código, compilei o programa pela primeira vez sem nenhum acidente e fui capaz de testar todos os recursos do 8080 Monitor e de jogar Space Invaders por uns três minutos, quando inevitavelmente atingi o limite do tédio porque, embora as pessoas gostem dessa coisa de nostalgia, a verdade é que games da infância da indústria são, em geral, lamentavelmente ruins. Space Invaders é um clássico e todos os etc, mas é bem chatinho também.
Eu sofri estoicamente para terminar o 8080 Monitor, aprendi conteúdos avançados distantes do escopo da faculdade, e me submeti a um processo árduo de aprendizado por conta do aspecto bem mais avançado do código: foi difícil começar, foi difícil continuar, foi difícil não desistir, foi, realmente, uma tentativa de abraçar o mundo. Mas, no fim, deu tudo certo, fui do começo ao fim e realizei. Fiquei satisfeito com a minha disciplina, esforço, com o foco, com a decisão bem firme de não desistir, de não arredar pé e vini, vidi, vinci. E por que se submeter a tanto sofrimento e dificuldade? Bueno, a dureza do desafio que parece insolúvel contribui para aumentar a temperatura desse caldeirão, desse crisol, onde se forja o homem do amanhã.
E para falar a verdade, difícil mesmo tem sido aprender mandarim (rumos da indústria da tecnologia apontam para a China).
Além disso, a vida sem o seu próprio emulador do Intel 8080 não é tão excitante quanto ela poderia ser. A qualquer interessado na empreitada, me guiei basicamente pelo Emulator101.com e o foco, agora, é converter o código para C#, quem sabe compilar uma versão para Android. Por quê, você pergunta? Razão nenhuma. Só sei que pode ser divertido.
E, para falar a verdade, essa sequer é a grande boa notícia do dia porque terminar o 8080 Monitor, embora seja um exercício sintomático dessa nova maneira de encarar a vida, é algo bem menor na grandeza das coisas boas que eu, hoje, recebo na minha vida de braços bem abertos.
"It's a new dawn, it's a new day"...

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